Justiça mantém suspensão de loteamento próximo aos Lençóis Maranhenses

Uma decisão da Justiça Federal manteve suspenso um empreendimento imobiliário que seria construído próximo ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um dos principais cartões-postais do Maranhão e do Brasil.

A medida foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que negou recurso da construtora responsável pelo loteamento Terra Ville Residence. O empreendimento prevê a implantação de 232 lotes residenciais em uma área localizada a pouco mais de 200 metros do campo de dunas dos Lençóis Maranhenses, no município de Santo Amaro do Maranhão.

A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou irregularidades no licenciamento ambiental do projeto. Segundo o órgão, as obras foram iniciadas sem a autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), exigida para empreendimentos que possam causar impactos em unidades de conservação federais ou em suas áreas de proteção.

O MPF também argumenta que a área utilizada pelo empreendimento deveria permanecer como zona rural, mas foi transformada em perímetro urbano pelo município, o que permitiu a implantação do loteamento.

Reconhecido em 2024 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Natural Mundial, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abriga um dos ecossistemas mais importantes e singulares do planeta, com extensos campos de dunas e lagoas formadas pelas chuvas.

Em parecer apresentado à Justiça, o ICMBio alertou que o empreendimento poderia causar impactos ambientais significativos. Entre os riscos apontados estão a perda de habitats naturais, danos aos recursos hídricos, alterações na paisagem, aumento da pressão sobre comunidades tradicionais e o crescimento desordenado do turismo na região.

Diante desses argumentos, a Justiça Federal do Maranhão determinou a suspensão das licenças ambientais e dos alvarás de construção, além da paralisação imediata de qualquer atividade no local. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 500 mil.

A construtora recorreu da decisão alegando prejuízos financeiros causados pela paralisação da obra. No entanto, o TRF1 entendeu que a proteção ambiental deve prevalecer diante da possibilidade de danos irreversíveis ao parque.

Na decisão, os desembargadores destacaram que a ausência de autorização do ICMBio compromete a validade do licenciamento ambiental desde o início do processo. O tribunal também reforçou a aplicação do princípio da precaução, utilizado em questões ambientais para evitar danos que possam ser permanentes ou de difícil reparação.

Com a decisão, o loteamento permanece suspenso enquanto a ação continua tramitando na Justiça Federal do Maranhão. O processo ainda vai analisar possíveis responsabilidades ambientais e a legalidade dos atos que autorizaram o empreendimento.

A decisão representa mais uma medida de proteção aos Lençóis Maranhenses, um patrimônio natural de importância mundial e um dos principais destinos turísticos do Maranhão.

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